Subjetividade linguística & subjetividade Hermética
by Wellington Amancio da Silva and José Londe da Silva

 

 

[10:36 PM, 19/04/2020] Androide Alfa: Cães e homens são bestas em geral. O último possui a habilidade da linguagem.

[10:39 PM, 19/04/2020] Androide Beta: A linguagem faz o último cruel.

[10:40 PM, 19/04/2020] Androide Alfa: Verdade. O cão não sabe porque morde.

[10:52 PM, 19/04/2020] Androide Beta: Eles possuem uma abertura do ponto de vista heiderggeriano, ou uma intuição Schopenhaueriana, portanto uma linguagem. Eles não tem à nossa. A nossa nos dá o conceito de crueldade, o que é ela, o quanto provoca dor, agonia e sofrimento.

[11:12 PM, 19/04/2020] Androide Alfa: Penso fechada a subjetividade do animal sem linguagem, e que “abertura” de Heidegger e o “intueor” (intuição em latim), da filosofia da representação são apenas para nós.

[11:15 PM, 19/04/2020] Androide Beta: Não. Schopenhauer diz que eles, animais representam o mundo por meio da intuição. E Heidegger, fala da abertura que é própria da vida.

[11:35 PM, 19/04/2020] Androide Alfa: Ok. Penso que todo e qualquer conceito é apenas para nós. Os animais não têm mundo; somente nós temos um mundo (mundi-κόσμος). Conceituamos “por aproximação” para aquilo que poderia ser a subjetividade de um animal. De Schopenhauer preciso discordar, porque o conceito de intuição tanto é incontornavelmente linguístico, como desconhecemos a subjectividade dos animais.  Penso que abertura é para vida como a concebemos na linguagem, não abertura própria da vida estritamente biológica, mas como sentido na linguagem, como se a vida em si mesma disse compreendida como abertura, pois fora da linguagem vida é outra coisa. Quando Heidegger fala da vida em geral trata-se para mim mais da vida como ordem, isto é a possibilidade de tudo que se abre para nós. Abertura relativamente à vida é sempre uma possibilidade humana em relação…

[11:45 PM, 19/04/2020] Androide Beta: Assurbanipal!

[11:50 PM, 19/04/2020] Androide Alfa: Ah, sim. Schopenhauer pode estar certo se o seu animal a que se refere for uma representação e não o animal. Assim resolvemos a questão da sua intuição. Mas, há uma contradição essencial em minha fala, quando uso a palavra “animal”. Basta reconhecer que o “animal” tal qual palavra e conceito não é aquilo para o qual nos referimos, “o ente quadrupede”; se a palavra “animal” é obviamente fundamentada num conceito linguístico qualquer, o que se diga dele, do animal, em qualquer instância conceitual (biológica, ecológica, tautológica, veterinária, etc.), se do ponto de vista filosófico será sempre uma verdade nos termos da filosofia, sendo que o animal que representamos não é o mesmo ente quadrupede ao qual nos referimos.

[11:54 PM, 19/04/2020] Androide Alfa: Se em Heidegger trata-se de animal em geral, qual um elemento da natureza conhecida (ordenada pela linguagem) assim, o animal possível, conceituado em Heidegger; possui sua abertura própria porque identificamos esta nele, mas o animal em si não nos diz acerca desta abertura.

[11:54 PM, 19/04/2020] Androide Beta: O animal, por mais que lhe pareça inferior ele possui uma abertura. Observe uma lagartixa, embora não tenha posse do saber, no entanto, na sua existência, ela consegue se dirigir sem muito esforço para a sua toca, claro, tal fenômeno é instintivo, mas é a abertura que ela possui sobre o mundo. Essa relação instintiva é o que configura o mundo. Mas isso se dá por instinto elementar. A nossa abertura é pela razão. Nós não só buscamos a nossa casa, nós sabemos o que é uma casa.

[11:56 PM, 19/04/2020] Androide Alfa: “Inferior” não se coloca no meu texto. Digo, a subjetividade do animal em si é hermética. Esta é a chave corrente em todo este meu argumento. Me surpreende Heidegger ter generalizado a abertura a um âmbito transcendental a ponto de escapar da linguagem.

[0:31 AM, 20/04/2020] Androide Beta: A hermenêutica é própria do homem, a subjetividade também. São instrumentos com os quais o homem mensura o mundo. Quanto a inferioridade, embora não se estampe em seu texto, no entanto, quando você defende o homem depositário do saber, o que é verdade e, exclusivo detentor da linguagem, fica subentendido, pelo menos para mim, a inferioridade do animal. O que vejo é que os animais possuem sua linguagem, que não é a nossa, não a que Aristóteles postulou para classificar o homem acima dos animais, mais uma linguagem outra. Se observarmos bem, os animais se “entendem.” Veja um cão que vai atravessar a rua dominada por um outro cão, aquele ou não passa pela rua ou se passa, se humilha diante deste com o rabo entre as pernas, de cabeça baixa e orelhas pendidas, arra…

[1:16 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Se a nossa subjetividade linguística (que dá sentido ao mundo conhecido) é superior a subjetividade hermética do animal (subjetividade que dizem hermética) logo, somos superiores (linguisticamente falando…).

[1:16 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Massa. Amanhã a gente continua.

[1:24 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Interessante.

[1:25 AM, 20/04/2020] Androide Beta: Não. Somos diferentes. Agora, no meu mundo (a relação que tenho com os diferentes objetos), sou um animal racional.

[1:28 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Se os animais possuem linguagem é porque dizemos que eles possuem linguagem, e por isso mesmo definimos como sendo linguagem as suas relações, entre si, sendo que o ente que denominamos cachorro não nos comunica ativamente uma coisa ou outra.

[1:28 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: [Já temos quase um artigo]

[1:29 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Realmente não somos diferentes. O artificio da linguagem simula isto em nós. Linguagem como artifício de simulações.

[1:31 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: A linguagem simula a diferença que não há.

[1:32 AM, 20/04/2020] Androide Beta: Sendo assim, nem nós possuímos linguagem. Acreditamos em algo que chamamos linguagem para designar a nós como possuidores de uma linguagem.

[1:33 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: A linguagem existe, todavia ela não é.

[1:34 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Nós e os animais somos, em razoável medida.

[1:35 AM, 20/04/2020] Androide Beta: Ela é, mas só interpretação do que é.

[1:36 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Ou nós todos somos em razoável medida — para não haver aqui separação de nós e eles.

[1:38 AM, 20/04/2020] Androide Beta: A questão é o que “é” o que é?

[1:38 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Linguagem por esse termo metafísico (é) torna a conversa aqui muito louca e instigante. Amanhã a gente segue com nosso exercício filosófico. Bacana.

[1:39 AM, 20/04/2020] Androide Alfa: Gostei. “Aspas” já remete à fenomenologia.

[1:40 AM, 20/04/2020] Androide Beta: Ou seja, o que está aí, no caso, a linguagem?

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