A POESIA VISUAL DE TCHELLO D’BARROS
by Almandrade Andrade

Como curador e organizador de mostras de Poesia Visual, o poeta Tchello d’Barros é um dos principais divulgadores de práticas semiológicas em que ele próprio está envolvido, como um investigador e produtor de linguagens que entram pelos olhos do leitor. Um desbravador de códigos que desorganiza o verbal e o alfabeto e os submete à lei da visualidade. Fragmentando palavras e textos, desmonta o lugar onde opera a comunicação. Desloca o princípio de realidade para a imagem ganhar autonomia e mergulhar em outros repertórios ou outros mundos.

Tchello é um viajante, como um “camelô”, de porto em porto, de cidade em cidade, levando sua mercadoria semiótica. Expondo e distribuindo imagens que implicam nova semântica. A performance da visualidade do poema recria o que era evidente, mostra o que a fala não diz mas o olho interroga. Um observador e um batalhador no embate com o código, o poema explode. São explosões gráficas provocadas por um arsenal proveniente da Poesia Concreta e do poema / Processo.

Recorrendo a palavra ou não, para o poeta, as mensagens estão na sua visualização, na disposição gráfica da palavra. A informação é organizada artisticamente através de signos de natureza gráfica. Na estrutura do poema, muitas vezes, associada à combinação de signos verbais e icônicos se instala uma expressividade. VER (um processo natural) e LER (forma de aprendizado) formam um método para se apropriar do trabalho poético deste artista.

O desafio do poeta é superar o código verbal através de um experimentalismo poético e propor outra forma de comunicação instantânea, além da tradição livresca do poema. Encontrar novas maneiras de fazer o poema é a sua intenção, explorar possibilidades linguísticas e seus múltiplos significados. O poeta se apropria dos significados que surgem das coisas, na dialética do procedimento entre ler e ver.

O Poema Processo ao abrir novas possibilidades para a Poesia Visual surgida com a poesia concreta, valorizou a sua visualidade e impulsionou a produção de poetas das décadas seguintes como é o caso de Tchello d’ Barros.

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