Dois poemas
by Leo Barth-Simeão

 

I-

A chama ardente
Da alma
Da lama
Que consome os dedos fortes que digitam
E garganta de quem grita Kiai
Renascimento solitário
De quem tenta fazer o seu melhor
Contra toda noite
Zumbido aterrorizante
Sobre e debaixo da ponte desfigurada
À madrugada
Ao calor do sertão
Tão…
Pacientes distantes
Cachorros ladram solitários
Sem filhos no alforge
Sem esperança à contramão
De sonhos que fomos ensinados
Castrados
Era só mais uma luz genérica
Mas cantamos
Despertamos
Pela mãe que faz um coro
Um caudilho
Uma estação
Sombria
Num copo de Vodka reluzente
De meios-dias
Em tons fantasmas ofuscantes
De contrabaixo
Louvado seja o homem que cai
E sabe que não é nada
Que nunca será nada
Que abraça o descaso abrasivo
Quente
Como cópula distinta

II-

A cor do seu cabelo
Em som alto lembrança
Cachoeira repetida
Março outubro
Distante
Lô Borges gritando
Mal discernimento de vozes
Canso
Leproso
Sádico
Sobejo
E a vida corre
Pela fresta do hospício
Verde
Vês o que me cega fumaça
Amanhã os lobos à pele
Carnegão corroendo dúvidas
Escolásticas
Teu quase suspiro recortado à cama
Do que não imaginas
Prisão em botão de flor pálida
De mil faces
E o nó de estômago amigo
Companheiro
Vento largo
Do que não passa mesmo em monte disperso
De bilhetes de raios em aniversários de lágrimas
A rua nua de Anne, em espinhos, ex-melódica
Passageira etérea
Que esperava algo de mim
E eu nunca sabia o que dizer
Pois era débil jovem

Leo Barth
Nascido em 1984. Delmirense, dividido, entre sertões e capital do caos. Começou a escrever por causa da Teologia. “Homem que nasceu morto, e que se acha em cada esquina, poeta de bêbados e esquizofrênicos, delimitado pelo caos particular e autor de nada”. Co-fundador do grupo “Arborosa”, de poesia, arte visual e fotografia. Publicou na Utsanga (Itália) revista de poesia experimental e em revistas brasileiras.

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