ARCHITECT OF SILENCE
by Wilson Rocha

 

Simplifying the shapes and geometrizing life seems to be Almandrade’s wish, one of the most representative artists of Bahia’s contextual art at the moment. His investigations point to the epistemology of constructiveness, where the shapes generate knowledge, architecture of signs or power of experimentation.

The apprehension of the space is an instance and also an education, they demonstrate intentionality and substantiate logical, geometrical determinations, representations and imagery in the encounter line/space. He believes that a work is constituted by the relationship of these elements with space and the observer.
The theoretical constructions in plastic arts are structured in fields increasingly essential to man and our world. Associating the power of art to new technological resources is surely following the trail of Rauschenberg’s giant experience, which seems to have frozen plastic creativity in the present characterized by the absence of style of an era like ours, incapable of redefining the artistic phenomena. Almandrade takes on an important structuring role in his environment, revealing himself as an artist of outstanding integrity and admirably defined personality. Painter, sculptor, architect, master in urban design, emerging also as a pure poet and a thinker as wholesome as his line poetic.

Extremely technical artist and of strong expressive vigor, his sensitiveness developed with passion his metaphysical linear drawing, purist, that, truly, is nothing else but the synthesis of line and idea, as solid as the structuring of his sculpture, whose severity is capable of causing impact.
The difficult and tasteful seduction of the signs is what the fascinating proposal of Almandrade offers through line and space, tension and shape in search for the sculptural object. Intelligibility of the space and technical sensitiveness are his tonic. Instinctive and technical, his deep concept of space is of the most impressive lightness.

Architecture of silence, we might say. The power of the contrast between black and white may be seen as a reference to Klee, an allusion to the immense value that the great Swiss artist attributed to such opposition. Almandrade’s work makes us think about the sensitive urgency of the photographer, prisoner or mere witness of his own subjectivity.

 

ARQUITETO DO SILÊNCIO
by Wilson Rocha

Simplificar as formas e geometrizar a vida parece ser a vontade de Almandrade, artista dos mais representativos para a arte contextual da Bahia no momento. Suas investigações apontam para a epistemologia da construtividade, onde as formas geram um saber, uma arquitetura de signos ou um poder de experimentação. A apreensão do espaço é uma instância e também uma educação, demonstram uma intencionalidade e fundamenta no encontro linha/espaço determinações lógicas, geométricas, representações e imagéticas. Ele acredita que uma obra se constitui da relação desses elementos com o espaço e o observador.
As construções teóricas nas artes plásticas estão estruturadas em campos da vez mais essenciais para o homem e o mundo do nosso tempo. Associar o poder da arte a novos recursos tecnológicos é seguramente seguir a trilha da experiência gigantesca de Rauschenberg, que parece haver congelado a criatividade plástica na atualidade caracterizada pela ausência de estilo de uma época como a nossa, incapaz de uma redefinição do fenômeno artístico.
Almandrade assume um importante papel estruturador em seu ambiente, revelando-se como um artista de notável integridade e de uma personalidade admiravelmente definida. Pintor, escultor, arquiteto, mestre em desenho urbano, firmando-se ainda como um poeta puro e um pensador tão íntegro como a sua poética da linha.
Artista extremamente técnico e de forte vigor expressivo, sua sensibilidade desenvolveu com ardor o seu desenho linear metafísico, purista, que, na verdade, não é outra coisa senão uma síntese de linha e idéia, tão sólida como a estruturação de sua escultura, cuja severidade é capaz de causar impacto.
A difícil e saborosa sedução dos signos é o que nos oferece a fascinante proposta de Almandrade através da linha e do espaço, tensão e forma em busca do objeto escultórico. Inteligibilidade do espaço e sensibilidade técnica são a sua tônica. Instintivo e técnico, o seu profundo conceito de espaço é da mais impressionante leveza.
Uma arquitetura do silêncio, poderíamos dizer. O poder do contraste entre preto e branco pode ser visto como referência a Klee, em alusão ao imenso valor que o grande artista suíço atribuía a tal oposição. A obra de Almandrade faz pensar na sensível emergência do fotógrafo, prisioneiro ou mero testemunha de sua própria subjetividade.

 

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